Lavoisier

Por - 17.8.19

Lumusiando

“O tempo não volta, a confiança não volta, a gente não volta. E, mesmo se a gente voltar, a gente não volta...” (Fred Elboni)

Quando li essa frase eu fiquei uns bons vinte minutos refletindo sobre ela porque ela faz sentido até demais. Comecei a analisar apenas o ano de 2019 e me surpreendi com a quantidade de formas em que mudei neste ano, em apenas oito (quase nove) meses aconteceu tanta coisa que eu jamais poderia imaginar, e nem precisa pegar os oito meses, só nos últimos três meses já tem mudança suficiente para que eu me surpreenda. Acho que mesmo sabendo que as mudanças são inevitáveis nós, na maioria das vezes, não nos damos conta da maioria delas que acontecem no nosso cotidiano, e às vezes, parar para refletir sobre as pequenas mudanças faz uma enorme diferença.
Por exemplo, este ano eu parei de consumir certas marcas de alimentos e produtos cosméticos (bem conhecidas por sinal) devido às suas atividades que resultam em maus tratos aos animais e ao meio ambiente, e tomar essa decisão foi simplesmente muito  fácil desde que eu comecei a ler mais sobre o assunto, acabou que sem eu perceber eu passei a economizar mais, cuidar melhor da minha saúde e ajudar uma causa super importante. Assim, sem precisar surtar nem nada.
Mudei também minha forma de analisar as coisas, a gente cresce de alguma forma todos os dias, quem volta para casa à noite nunca é a mesma pessoa que saiu pela manhã. Eu que me julgava ser uma pessoa que odiava acordar cedo e falar com pessoas de manhã, agora que estou tendo que acordar cedo estou me tornando alguém muito mais sociável nas primeiras horas do dia (me tornando, um dia eu chego lá). Na maioria das manhãs eu saio de casa pensando em como eu queria não ter saído de casa, como eu queria ter ficado no estilo Harry Potter: no meu quarto, sem fazer barulho e fingindo que não existo. Mas no final do dia eu sempre fico feliz e orgulhosa de mim por não ter ficado em casa já que foram as pequenas coisas que vivi que fizeram o dia valer a pena.
Outra coisa que definitivamente fiz este ano foi colocar minhas necessidades nos lugares que elas deveriam estar: em primeiro. E olha, como as coisas mudam quando a gente se coloca na frente dos outros (não de forma egocêntrica, claro). Percebi como tinham pessoas que só estavam ali porque eu era conveniente para a situação, e a partir do momento em que eu passei a me priorizar e não estar tão disponível assim, elas mudavam completamente de ação como se o fato de eu ter que pensar em mim fosse algo errado. E olha, se posso te dar um conselho é: quem quer teu bem de verdade não fica bravo se você pensar nas suas necessidades, ele entende, compreende e te apoia. Meu professor falou comigo e com uma amiga minha (Ju, estou morrendo de saudades): pode até ser seu amigo, mas amigo que te leva para baixo não é amigo. E ele está muito certo. É engraçado como nosso campo de visão se clareia mais quando a gente tem um olhar além do nosso próprio mundo, loucura ver como as coisas são diferentes quando você abre a tampa da caixa e vê as pessoas e situações de ângulos diferentes.
 Eu entendo o nosso medo por mudanças, ninguém gosta do desconhecido. Inclusive eu vivo dizendo que: ninguém tem medo do escuro em si, as pessoas têm medo do que pode estar no escuro e elas não sabem. Não gostamos de sair da nossa zona de conforto, não gostamos de ter que nos colocar em situações sobre as quais não temos controle, nós gostamos de saber (ou achar que sabemos) lidar com todas as variáveis do problema; mas quem a gente está tentando enganar? Controle do que?
Tem uma famosa frase de Lavoisier que diz “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, e esse menino estava certíssimo (não só no campo da ciência). Estamos nos transformando o tempo inteiro e uma borboleta não vira uma borboleta se ela não tiver coragem de deixar de ser lagarta (se bem que acho que ela não escolhe muito, mas você entendeu). Posso dizer por experiência própria que a gente não vive com medo da vida, a gente só existe, e a graça da vida é exatamente a oportunidade de explorar novas coisas, de descobrir o mundo, de viver.
Há dois meses atrás eu nunca iria me imaginar indo na casa da minha amiga Milady tomar um vinho (já quero de novo), ou em todo dia de manhã receber mensagem da Mylena pedindo para eu guardar um lugar para ela perto de mim no curso, ou que eu iria finalmente colocar minhas Box Braids (que estou amando), que eu deixaria de falar com algumas pessoas e começaria a falar com outras; mas isso e muito mais aconteceu, e ainda bem que aconteceu porque a vida é isso: esperar tudo e não ter certeza de nada.
Por isso fiquei muito feliz ao conseguir dar um sorriso quando terminei minha reflexão sobre essa frase, em saber que as pessoas que não convivem comigo o tempo e todo, e até mesmo as que convivem, vão perceber mudanças em mim porque eu estou evoluindo, estou crescendo; a Maria Eduarda de dois anos ou meses atrás não é a mesma e nunca mais vai ser, ela não vai voltar e fique sabendo que ela está muito feliz por isso. É muito bom quando a gente entende e aceita que não é a mesma pessoa, quando você entende que, mesmo que só um pouquinho, tudo mudou. É muito bom quando você se sente confortável o suficiente com as mudanças de forma que quando alguém te olhar e falar “você mudou”, você sorrindo irá responder “eu sei”.

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14 comentários

  1. que texto lindo! as mudanças podem vir para o bem e para nosso amadurecimento

    www.tofucolorido.com.br
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  2. Oi, Duda
    Eu acho essa frase interessante porque eu nunca me vi do tipo de pessoa que não voltava. Eu sempre achei que algo me chamaria para o passado de volta, e eu que eu conseguiria recuperar o tempo que perdi ou algo que perdi. Mas olha, vou falar em relação as minhas amizades... não é bem assim como as coisas funcionam. Acreditei tanto em amizades que seriam para sempre e descobri que na verdade cada um segue com sua vida, tudo muda e nem todos são os mesmos. Hoje em dia eu parei de lamentar a perda, na verdade eu comecei a apreciar minha própria companhia, que poderia ser a melhor que tenho, e aprendi que seguir em frente é o melhor que podemos fazer, descobrir coisas novas, evoluir e deixar para trás o que se foi. E é isso.
    Beijo
    https://www.capitulotreze.com.br

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    1. Olá, Mika!
      Fui eu quem escreveu isso? Hahaha, eu amei a sua reflexão, é exatamente como eu penso.

      Beijão!

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  3. Quantas reflexões maravilhosas e profundas sobre os ganhos das perdas. Tudo é um amontoado de transformações para continuarmos os mesmos na melhor essência que temos. Várias frases me deram vontade de colar pelas paredes. Amei.

    semquases.com

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    1. Olá!
      FIco feliz que tenha gostado, realmente tem algumas frases em que você tem que parar e analisar né?!

      Beijão!

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  4. Que lindo!
    A vida muda mesmo... no inicio a gente não gosta
    a gente estranha
    mas depois a gente muda
    depois as coisas melhoram e desenvolvem
    o que tiver de ser, vai ser, né?
    Adorei seu texto, muito bonitas e verdadeiras suas reflexões


    Beijocas da Pâm
    Blog Interrupted Dreamer

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    1. Olá, Pâm!
      Fico feliz que tenha gostado, a vida não ia ter muita graça se não mudasse né?!

      Beijão!

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  5. Excelente reflexão, nunca voltamos iguais, a cada momento estamos evoluindo e aprendendo novas coisas. Aprendemos observando, fazendo, e apenas conversando. Tudo na vida é aprendizado e muita evolução.

    https://www.parafraseandocomvanessa.com.br/

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    1. Olá!
      Frase perfeita: "Tudo na vida é aprendizado e muita evolução", certissima.

      Beijão!

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