Eu comecei a ler desde muito nova, e isso foi graças aos exemplos que eu tinha à minha volta. Minha mãe e minha irmã sempre leram muito, então a leitura sempre esteve presente antes mesmo de entrar na escola. E, quando entrei na escola, o incentivo para a leitura ficou ainda mais presente.
Os gibis da Turma da Mônica foram para mim (assim como imagino que para muitas pessoas) a porta de entrada no mundo da leitura. Felizmente eu tive professores incríveis e, como forma de incentivar a leitura da minha turminha do extinto CA (atual 1º ano do Ensino Fundamental), a Tia Rosane emprestava todo dia um gibi diferente para que pudéssemos ler em casa.
Fico feliz em dizer que a paixão segue forte até hoje.
Mas há algumas leituras que nos marcam mais do que outras e, quando eu vi uma das sugestões de temas da semana do BEDA (Blog Every Day August) era falar sobre um objeto que marcou nossa vida, o livro A Bailarina Fantasma da Socorro Acioli foi uma das primeiras coisas que veio à minha mente.
Me recordo perfeitamente de quando li o livro pela primeira vez. Eu tinha onze anos, estava na quinta série (atual sexto ano), era uma visitante fiel da biblioteca da escola, e haviam chegado livros novos, o que significava que eu estava muito animada. E, quando a bibliotecária mostrou que esse livro era uma das novidades, eu fiz questão de que meu nome fosse o primeiro da lista de pessoas que pegaram ele emprestado.
A ansiedade para chegar em casa naquele dia foi grande; quase não consegui prestar atenção na aula (quase, porque, na mesma medida que eu gosto de ler, eu gosto de aprender), e devorei o livro quando cheguei em casa. Naquele dia eu não assisti aos desenhos rotineiros, nem à novela que eu costumava acompanhar na época; eu só queria ler.
E, ainda bem que eu li.
Não pretendo fazer uma resenha detalhada do livro, pois essa não é a premissa da postagem. Mas, após reler esse livro umas sete vezes, eu posso afirmar com tranquilidade que esse é um dos melhores livros que eu já li até hoje. Não apenas pelo sentimento de nostalgia ou apego emocional, mas porque o livro é realmente incrível.
A história, os personagens, a trama do livro — que, apesar de ser um livro juvenil, é cheia de surpresas e de uma profundidade avassaladora —, a ambientação da história e a escrita rica e envolvente que a Socorro tem são a receita perfeita.
Não é o melhor livro da autora, principalmente se você vai lê-lo pela primeira vez sendo adulto, mas isso não o torna menos incrível.
Mas o que faz esse livro ser tão importante para mim vai além da beleza da história que ele carrega. Como comentei acima, eu li esse livro quando o peguei emprestado na escola (umas três vezes, vale ressaltar); porém, quando saí do ensino fundamental e mudei de escola, acabei perdendo contato com o livro.
Sete anos depois, eu estava passeando com a minha mãe e havia uma feira ao ar livre onde havia um stand de venda de livros. E eu, obviamente, carreguei minha mãe para lá. Enquanto olhava curiosa entre um livro e outro, eu encontrei uma capa que me chamou atenção. Eu conhecia aquelas cores, eu conhecia aquela capa.
Admito que soltei um leve grito de animação quando confirmei minhas expectativas: ali estava um dos meus livros preferidos da adolescência, reencontrando-se comigo anos após.
Eu fiquei tão animada que fiz algumas pessoas à minha volta sorrirem enquanto contava animada para a minha mãe que aquele era um livro que tinha lido na escola e que eu estava muito feliz por ter encontrado ele novamente. O que me recorda uma das minhas frases preferidas do livro:
Eles não falaram, mas perceberam em silêncio que as pessoas sempre ficam mais bonitas quando estão felizes.
E esse foi o motivo de eu ter escolhido esse livro para trazer hoje para vocês como um objeto antigo que me guarda uma história. Eu acho fascinante como nós, humanos, temos a capacidade de adicionar nossas memórias e sentimentos a coisas que seriam completamente consideradas banais para outras pessoas.
Tenho certeza de que diversas crianças que estudaram comigo leram esse livro na mesma época que eu e que a maioria delas nem deve se recordar dele. Mas eu, sempre que olho ele junto aos meus demais livros, dou um pequeno sorriso pela recordação alegre de ter reencontrado ele, agora com a chance de mantê-lo comigo.


Que legal, não fazia ideia que a Socorro escrevia a tanto tempo assim, parei pra dar uma pesquisada e acho que A Cabeça do Santo é da mesma época né? Achei que eram mais recentes, mas que bom que os livros dela estouraram e eu pude conhecer. E nossa, você me deu uma nostalgia GIGANTESCA com essa história da biblioteca da escola. Eu não lembrava, mas eu amava dia de livros novos, e amava chegar primeiro na listinha de espera pros livros mais legais. Nunca esqueço da minha professora Tânia, ela quem me fez amar tanto os livros assim. Que post legal, adorei ler sua história!
ResponderExcluirOi Duda! Eu também me apaixonei pelos livros bem novinha e cara, passar o recreio na biblioteca era com certeza o meu momento preferido na escola.
ResponderExcluirGostei muito do seu relato com o livro ♥
É sempre emocionante ler relatos de quando alguém se tornou leitor! Também fui uma criança/adolescente que adorava pegar livros emprestado na biblioteca da escola, saudades da professora Helena! Tornamo-nos amigas de tanto que eu ia lá e conversa com ela sobre as leituras que fazia.
ResponderExcluirNão conhecia esse livro, mas agora fiquei curiosa para lê-lo também!
São estes tipos de tesouros que vale a pena desenterrar!
ResponderExcluirAproveito para desejar um bom fim de semana!
Bjxxx,
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Olá, amiga Eduarda.
ResponderExcluirÉ bom recordar livros da nossa infância. Principalmente aqueles, que nos marcam, e nos fazem gostar da leitura.
Votos de um bom fim de semana.
Beijinhos!
Mário Margaride
http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com
Que legal você ter trazido um livro que te marcou tanto pra esse post ✨
ResponderExcluirAchei muito bacana também que você sempre leu, foi um hábito mesmo. Admiro isso!
Adorei saber mais sobre o livro e sobre essa sua recordação.
https://www.heyimwiththeband.com.br/
Olá, Duda.
ResponderExcluirNão conhecia essa obra e eu também sempre gostei muito de ler.
Beijos
www.luluonthesky.com
Também comecei a ler banda desenhada mal aprendi a ler (a turma da Mónica, Cascão & Companhia chegou muito mais tarde quando os meus filhos começaram a ler).
ResponderExcluirE com 10 anos comecei a ler os livros que circulavam nua biblioteca ambulante. Li-os todos em poucos meses...
Magnífico post, gostei de ler.
Boa semana minha amiga.
Um abraço.
Achei tão maravlhoso que um dos seus objetos mais preciosos e significativos da vida seja um LIVRO. Como uma leitora também, fico muito feliz, e sei mais ou menos a sua sensação, pois já senti o mesmo sempre que encontro um livro que eu amo.
ResponderExcluirMais pessoas deviam se permitir conhecer o quão fantástico é amar um livro <3
Amei sua história!
Beijos,
Livro de Memórias
- Muitos estão perdendo a vontade da leitura em livro, principalmente o físico, mas não abro mão. O último que vi foi no final de semana e em apenas três dias conclui. O meu ultimo post, inclusive, é mencionando sobre. 🙂
ResponderExcluirEu amei que você contou um pouquinho da sua história, da sua experiência como leitora. É tão gostoso saber de histórias assim.
ResponderExcluirDa para ver o amor pela leitura e quando nos deparamos com um primeiro livro que nos encanta é ainda melhor.
Beijos.
www.parafraseandocomvanessa.com.br