No dia doze de junho deste ano, também conhecido como Dia dos Namorados, eu fui ao tributo à Sade, uma das artistas de quem mais gosto, no teatro da minha cidade.
E eu fui sozinha.
E eu tinha diversos motivos para não ter ido: era obviamente um evento cujo público-alvo eram casais, ninguém próximo a mim iria por não compartilhar da paixão que eu tenho pela obra da artista (uma pena), era a noite, estava com clima de chuva etc.
Mas, o que eu fiz? Comprei o ingresso com alegria e sem pensar muito nos “e se” que surgiram, e fui. Afinal, era algo que eu realmente queria fazer e ainda bem que eu fiz, porque foi uma das melhores experiências que eu tive.
Claro que fiquei um pouco insegura. Afinal, eu não tenho o costume de frequentar teatros. Mas, ao entrar naquele local que tem uma aura mágica, perceber que ninguém estava ligando se eu estava ou não acompanhada e ser engolida pela beleza do show fez com que a noite fosse além do que eu imaginava que seria.
Na verdade, essa não foi a primeira vez que fiz algo assim. Eu, apesar de ser uma pessoa bastante tímida e reservada, sempre fui de fazer as coisas sem esperar ter alguém para ir comigo. Sempre fui ao cinema, a eventos e até almoçar sozinha — e isso sempre foi uma realidade bem normal para mim.
Sair sozinha me proporcionou experiências que eu provavelmente teria perdido se esperasse sempre pela companhia perfeita: alguém que tivesse tempo, vontade e interesse exatamente naquilo que eu queria viver.
Ao mesmo tempo, algumas das minhas melhores lembranças aconteceram ao lado de pessoas incríveis. Como o show do Sorriso Maroto, que fui com a minha irmã no Maracanã no ano passado, em que nós cantamos horrores as músicas do grupo, que são tão presentes em nossas vidas. Assim como, em julho deste ano, eu fui à festa típica da minha cidade com amigas e família, e aquele dia só foi o que foi justamente porque foi compartilhado.
Acho que, quanto mais eu vivo a vida, mais eu percebo o quanto nada na vida é constante e tudo é variável. Há dias em que a vida nos pede coragem para seguirmos sozinhos. Em outros, nos presenteia com pessoas que tornam tudo ainda mais bonito.
Haverá momentos em que a presença de alguém será essencial; assim como haverá outros em que você só vai ter o seu próprio apoio e companhia.
Talvez amadurecer também seja um pouco sobre isso: parar de sentir a necessidade de sempre conseguir encaixar todas as experiências na mesma lógica. Não é porque é “comum” ter alguém com você para ir ao cinema ou a um show que só se pode ir ao cinema acompanhado; não é porque uma livraria é um lugar mais intimista que não se pode marcar um rolê com os amigos lá.
Em alguns momentos, eu irei me encontrar no escuro de uma sala de cinema, no meio de um show ou numa mesa de restaurante, apenas comigo. Em outros, estarei no meio do barulho de uma festa da minha cidade, na conversa com a minha irmã, no passeio com a minha mãe, nas risadas das minhas amigas.
E isso me conforta: gosto de pensar que nenhuma dessas versões anula a outra ou que elas não podem habitar juntas. Há dias em que a vida me encontra na minha própria companhia; em outros, ela chega pelas mãos das pessoas que amo.

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