Interior

Por - 23.8.18


Pixabay

Quando eu era mais nova eu odiava meu nome, no caso eu odiava o Maria do meu nome e o motivo é bem simples: Maria era sempre usado de formas estranhas. Na escola os exemplos bons e ruins eram com Maria, tinha termos como “Maria-fumaça” e “Maria-chuteira” que simplesmente me deixavam muito brava porque eu não entendia o motivo de meu nome ser associado a termos que não eram legais. E isso fazia com que eu odiasse uma parte de mim tão importante quanto o meu nome.
Eu também não entendia porque as outras crianças faziam piadas sobre o tamanho da minha boca, ou do meu nariz, ou da forma que meu cabelo era, eu pensava “Mas como é que eu vou mudar meu nariz?”, e minha boca então nem se fala. Até meus treze anos eu detestava o fato de ter boca grande, queria me de irritar era só falar da minha boca, um dos motivos de eu nunca ter usado batom desde que comecei a escolher minhas próprias roupas era porque eu queria esconder a minha boca.
Até que eu comecei a perceber que aqueles julgamentos não eram só comigo. Eu percebia que minhas amigas julgavam um menino pelo queixo dele em vez de pela personalidade dele, e eu que não tinha a menor noção dos padrões da sociedade ficava me perguntando “O que é que tem de errado com o queixo do menino?”, e depois de começar a ler e pesquisar um pouco eu percebi que NÃO TINHA NADA DE ERRADO NEM COMIGO, NEM COM O MENINO.
Depois de um tempo eu comecei a perceber que eu não via nada de errado com o menino porque o me atrai nas pessoas não é o físico, mas sim como a pessoa me trata, a personalidade da pessoa, como a pessoa era sabe? Não interessa se os dentes da pessoa são tortos se o que sair da boca dela for arte, não importa o que tá por fora tem que dar valor ao que está por dentro.
Lembro quando vi uma reportagem de uma moça que foi fazer um procedimento cirúrgico para aumentar o tamanho dos lábios e infelizmente deu errado e ela teve uma série de complicações, foi naquele momento que eu pensei “As pessoas falam que eu tenho a boca grande demais, mas ficam injetando coisas na boca para que ela fique maior, então minha boca ta maravilhosa”. Depois de muita reflexão, de muito amadurecimento eu percebi que eu não preciso odiar minha boca, meu nariz, nem nada em mim só porque alguns outros não gostam, como diria um amigo meu “qual seria a graça se fossemos todos iguais?”.
Um exemplo simples de como eu priorizo mais o interior das pessoas do que o exterior é o fato da minha rede social favorita ser o Tumblr (muita gente não sabe, mas Tumblr não é um adjetivo, é o nome de uma rede social), no Tumblr você não vê o rosto das pessoas no perfil delas, na verdade você raramente sabe quem está por trás daquele perfil; não é como no Instagram que você está ali para ver o que a pessoa está fazendo, ou como ela está, quando você está no Tumblr de alguém você está ali para ver como ela se sente, como ela pensa, como ela é.
Então se posso te dar um conselho que não deveria nem ser falado é: não deixe que o “senso comum” te impeça de conhecer pessoas novas, não deixe de puxar assunto com alguém no bar ou com o colega de sala com medo do que vão achar dele, não julgue as pessoas pela aparência. Sim, a gente faz isso e temos que parar. Você já pensou no que pensam em você quando te veem na rua? Qual a imagem que você passa? Você gostaria que julgassem você apenas sua aparência? Então qual o motivo para julgar a outra pessoa pelo nariz dela? Ou porque você tá com uma blusa da Sonserina? Então não faça isso com os outros.
A gente está vivendo em uma era onde os julgamentos estão por todo lugar, estamos vivendo uma era onde qualquer coisa recebe críticas de pessoas que não são especialistas em certos assuntos. Sinceramente, nesse mundo de julgar pela aparência e apontar os defeitos, procure ser o tipo de pessoa que elogia, do tipo de pessoa que faz sorrir.


Você também pode se interessar por:

6 comentários

  1. Oi, Duda
    Eu gostei muito do seu relato porque sou dessas que vive reclamando de tudo. Sou muito magra, e o povo diz, Dê graças a Deus que tu não é gorda. Reclamo dos meus beiços grandes, e o povo fala, Relaxa que o formato da sua boca é bonito (embora eu não ache). Também já tive problema com nome porque detestava o Mikaely, e hoje praticamente assumi ele. Acho que tudo é questão de se aceitar e se ver como nós realmente somos. Pra que mudar algo que Deus nos deu assim, né? A partir do momento que nos aceitamos como somos, vivemos maravilhosamente bem.
    Beijo
    http://www.suddenlythings.com/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Mika!
      Sua ultima frase resumiu tudo, afinal se a gente não se aceitar quem vai não é mesmo? E eu sempre achei o seu nome lindo e diferente, que coisa não, eu tive problemas por meu nome ser muito comum e você por o seu ser diferente, essa vida hein hahaha.

      Beijão!

      Excluir
  2. Adorei!

    Se quiser participar, estou sorteando um kit de acessórios lá no blog: http://www.cobaiaamiga.com/2018/08/sorteio-acessorios.html

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá!
      Fico feliz que tenha gostado, vou dar uma olhadinha sim.

      Beijão!

      Excluir
  3. Eu não vou atrás e nem sigo a opinião dos outros. Se falam alguma coisa, eu preciso ver para crer, nem se eu me der mal. Não sei se isso é um defeito, mas não consigo confiar muito nas pessoas atualmente. Espero poder reverter isso algum dia, mas está difícil!!!

    Gustavo
    http://www.leituraenigmatica.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Gustavo!
      É hoje em dia está difícil de saber em quem confiar, eu realmente entendo. Mas tomara que nossa esperança na humanidade não acabe né?!

      Beijão!

      Excluir